O livro analisa como que as migrações contribuem para as questões trabalhistas e o
desenvolvimento econômico dos Estados, em um contexto de globalização e de integração dos
Estados, frente a uma maior crise migratória mundial na atualidade. Diante dessa
contextualização, faz-se uma análise sobre o conceito de migração e o fenômeno migratório
nos Estados-membros do Mercosul, especificamente na Tríplice Fronteira (Argentina, Brasil e
Paraguai), de modo a observar-se como estes Estados vêm lidando com a livre circulação de
pessoas no sistema da integração intergovernamental, principalmente em favor de sua maior
eficácia, eficiência e efetividade. Inicia-se, para tanto, por uma síntese dos fatores históricos
mais pertinentes aos migrantes chegados nessa região e da circunstância em que seu trabalho
acabou por desempenhar-se, podendo caracterizar-se como escravo ou em condições análogas.
A região da Tríplice Fronteira é um local estratégico para a expansão da integração regional em
função de configurar-se como um relevante eixo econômico para o Mercosul que, a sua vez,
trouxe tardiamente, flexibilidades aos acessos da migração nas fronteiras e, ainda, algumas
proteções de ordem trabalhista que mostram-se frágeis, se comparadas com o Direito
Comunitário, mormente quanto à capacidade de se pleitear o cumprimento de determinações e
regras gerais aplicáveis aos Estados-membros. Verifica-se, assim, a adesão dos Estados-
membros ao espaço Schengen, e seus reflexos trabalhistas, extraindo-se, em uma equiparação
comparativa à situação da Tríplice Fronteira, procedimentos e normas passíveis de serem
adotados na realidade da integração intergovernamental do Mercosul, com vista à melhora das
relações e proteção dos trabalhadores migrantes nessa região, em uma gestão de boas práticas
do fenômeno que também permita adotarem-se no âmbito mercosulino, em construção de uma
melhor governança regional, as normas utilizadas pelos Estados-membros, fruto de hard ou soft
law, cuja experiência tenha se revelado exitosa, a exemplo do ocorrido na Argentina, em
combate à criminalidade na Tríplice Fronteira, quanto à exploração sexual, ao trabalho escravo
e ao tráfico de pessoas. O método utilizado é o histórico-dedutivo, sob uma técnica de
abordagem bibliográfica e documental, com uma metodologia própria ao estudo interdisciplinar
entre Direito da Integração, Direito Comunitário e Direito Trabalhista, ante a especificidade da
crítica sobre a governança das relações trabalhistas no fluxo migratório da zona da Tríplice
Fronteira (Argentina, Brasil e Paraguai).